Por que existe obesidade infantil?

Segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, a obesidade já atinge 10% das crianças e 20% dos adolescentes brasileiros. Ela está presente em todas as classes sociais e já se tornou um problema de saúde pública.

 

A obesidade é uma doença. Não se trata de uma questão estética ou consequência dos maus hábitos. Trata-se de um problema multifatorial que deve ser prevenido desde os primeiros meses de gestação.

 

Causada principalmente pela ingestão inadequada de alimentos e falta da prática de exercícios físicos, a obesidade é também desencadeada por fatores ambientais, além de biológicos, hereditários e psicológicos. Seu tratamento requer um diagnóstico detalhado, orientação nutricional e mudanças no estilo de vida. Além disso, é necessário convencer a criança a se alimentar de forma diferente dos seus colegas.

 

A principal causa da obesidade é ambiental, causada por alimentação inadequada e pouca atividade física. Menos de 5% dos casos se deve a doenças endocrinológicas. A hereditariedade pode ser um fator de risco, mas ela só se manifesta se o ambiente for favorável ao excesso de peso.

 

Crianças obesas têm um risco maior de se tornarem adultos obesos. Além disso, doenças que classicamente eram caracterizadas como da idade adulta, como alteração de colesterol, dos triglicérides, hipertensão arterial e até mesmo o diabetes tipo 2, estão cada vez mais presentes nesta faixa etária precoce. 

 

A criança é identificada como obesa quando seu peso corporal ultrapassa em 15% o peso médio correspondente a sua idade. No Brasil, existem cerca de 18 milhões de pessoas consideradas obesas. Somando com o total de indivíduos acima do peso, o número chega a 70 milhões, mais que o dobro de 3 anos atrás. Uma pessoa é considerada obesa se o seu IMC for superior a 29,9.

 

Primeiro precisamos parar de falar de “combate” à obesidade infantil e falar de prevenção. A noção de “combate” pressupõe que a criança obesa de alguma maneira tem uma responsabilidade na situação na qual se encontra. Existe uma estigmatização da criança obesa como sendo preguiçosa e sem nenhuma força de vontade ou disciplina.

 

É muito importante que os pais não subestimem este problema de saúde pública. A prevenção do ganho excessivo de peso na criança que tem peso adequado e o tratamento daquela que já apresenta sobrepeso ou é obesa, de forma multifatorial, constituem as ferramentas mais eficazes para o crescimento saudável.

 

Já ouviu falar sobre as consequências da obesidade?

Os riscos associados à obesidade são diversos, incluindo a ocorrência de outras doenças e de problemas psicológicos, sociais e econômicos, além do risco acrescido de morte prematura. A relação entre a obesidade e a ocorrência de outras doenças é bem conhecida e tem sido demonstrada repetidamente. Saiba mais em nossa matéria!

 

Diabetes

O aumento da ingestão calórica faz com que a insulina produzida pelo corpo seja insuficiente para todo o açúcar que é ingerido na alimentação, acumulando-se no sangue. Além disso, o próprio corpo começa a resistir à ação da insulina, facilitando o desenvolvimento de diabetes do tipo 2. Este tipo de diabetes é facilmente revertido com o emagrecimento e alguma atividade física.

 

Hipertensão

O excesso de gordura acumulada dentro e fora dos vasos sanguíneos dificulta a passagem do sangue pelo corpo, forçando o coração a trabalhar com mais força, o que não só aumenta a pressão arterial como pode levar ao surgimento de uma insuficiência cardíaca a longo prazo.

 

Problemas respiratórios

O peso excessivo sobre os pulmões faz com que a entrada e saída de ar fique comprometida. Isso provoca a apneia do sono, uma enfermidade muito associada à obesidade e a hipertensão arterial. Além do mais, pessoas obesas podem desenvolver problemas mecânicos do diafragma, embolia pulmonar e, em asmáticos, o agravamento da enfermidade. Há , inclusive, um tipo de asma que só ocorre em obesos.

 

Aumento do nível de triglicerídeos

Os triglicerídeos também são gorduras que são acumulados no tecido adiposo. Em excesso, eles se depositam nas artérias sendo o principio da aterosclerose que leva a provocar infartos do miocárdio e derrames cerebrais.

Acidente vascular cerebral (AVC)

Também conhecido como derrame cerebral, o AVC ocorre quando o indivíduo sofre perda das suas funções neurológicas devido ao entupimento ou rompimento de vasos sanguíneos no cérebro.

 

A obesidade aumenta o risco de AVC. Isso porque o acúmulo de gordura na corrente sanguínea pode provocar aterosclerose, que junto com a hipertensão é uma das principais causas do derrame cerebral.

 

Mesmo sendo uma doença crônica, existem diversos tratamentos para a obesidade. Agende sua consulta!